Depois do Filme


NOVO BLOG

Senhoras, senhores, senhoritas, irmãos de fé, curiosos, desconhecidos, inimigos e quem mais por ventura entre neste blog...


Cansei desta casa virtual, cansei dos tons cinzentos da página, cansei da pouca eficiência do UOL em se comunicar com outros sites. Arrumei um lugar mais bonito e prático, fiz minha mudança e agora estou pronto para recebê-los.


Meu novo endereço é http://tiagomarconi.wordpress.com . Vejo vocês lá!



Escrito por Tiago Marconi às 10h25
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Por favor, São Paulo!!!

Ainda dá!

http://blogueiroscommarta.blogspot.com/


Escrito por Tiago Marconi às 23h39
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Marginaaaaal

Estreei minha devoção no Ramadã da cinefilia paulistana ante-ontem, em grande estilo.


Com a cabeça girando por questões que não vêm ao caso e um humorzinho terrível, resolvi que era hora de gastar CATORZE REAIS e ir ver algo da Mostra. O filme? A Canção de Baal, dirigido pela histórica Helena Ignez, que merece um prolongamento no preâmbulo...


Para quem não sabe, Helena Ignez, filha da aristocracia baiana, foi mulher dos dois maiores cineastas brasileiros de todos os tempos, Glauber Rocha e Rogério Sganzerla (sorry, Ruy Guerra, mas você não nasceu aqui...) e diz-se por aí (acho que foi Glauber) que ela era o que havia em comum entre o Cinema Novo e o Cinema Marginal - movimentos que podem ser personalizados justamente por esses dois diretores. E foi em parceria com o marginal Sganzerla que a jovem e bela loura brilhou com mais intensidade, em vários filmes, dos quais destaco A Mulher de Todos (1969), em que ela interpreta a sensacional Angela Carne e Osso - a inimiga número 1 dos homens. Quem não viu, veja!


Pois bem, a sessão, aquela coisa... Demorou meia hora para Helena começar a falar... O filme começa com o áudio do depoimento de Bertolt Brecht à Comissão de Atividades Anti-Americanas. Corte. No meio do nada, um nada bucólico, executando um piano, Baal (interpretado por Carlos Careqa) canta com voz rouca de bêbado e cabelos desgrenhados, coisa que fará durante o filme todo, por vezes com um violão cheio de adesivos, por vezes sem nada, no palco de um cabaré. É um personagem grotescamente machista, bem ao estilo do cinema marginal, que ao longo do filme vai pegando e descartando (e destruindo) belas mulheres, Beth Goulart (eu gosto, ta?), Djin Sganzerla, Simone Spoladore... Aliás, não sei se por ter sido uma musa, o fato é que a senhora Ignez (com seu fotógrafo) filma a figura feminina lindamente. Baal é uma figura destrutiva, destrói a si mesmo e a tudo o que de bom eventualmente o cerca (representado justamente por essas figuras femininas branquinhas e belas, uma chave beeem romântica), enche a cara o tempo todo e canta espetaculares canções, prenhes de desdém e muito espirituosas e engraçadas.


A montagem é excelente e alguns planos valem 14 reais. A fotografia é estranha (não sei se foi feito todo em vídeo, mas na hora parecia que não tinham renderizado alguns trechos, estranho... experimental demais talvez... ou eu ando careta mesmo), mas bonita. As atuações me deixam em dúvida. Não sei se são irregulares ou se se, por exemplo, Djin Sganzerla está propositalmente artificial... Ela e o cara que interpreta Johann me incomodaram um pouco. Carlos Careqa dá show! E a turma em geral está bem. O filme tem momentos de humor escroto e grotesco que realmente me agradam, eu diria até, me comovem... E, acima de tudo, o filme ousa! Acho que vai demorar para entrar em cartaz e vai sair rapidinho. Mas estou seguro de que, no túmulo, ou no céu dos marginais (inferno?), Rogério Sganzerla sorri satisfeito.



Para quem gosta de cinema e não faz questão de peripécias narrativas.

Obrigado, Helena!

Escrito por Tiago Marconi às 11h09
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A gente num Kassab



Escrito por Tiago Marconi às 21h26
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Propaganda eleitoral gratuita - ou por que votarei em Marta

- Faltou política em todas as discussões de campanha (exceto a do Ivan Valente), que se restringiram a questões de gestão, em que tentam colar na candidata do PT uma imagem de irresponsável que vai quebrar a cidade, assim como faziam com Lula - e quem quase quebrou o Brasil na história recente foi o governo Fernando Henrique com seu populismo cambial, esse sim irresponsável.

- O bilhete único foi a maior transformação no transporte público da história recente da cidade. O governo Serra/Kassab tirou direitos, assim como o governo do PSDB no estado acabou com os bilhetes múltiplos no metrô, restringindo ainda mais nosso direito constitucional de ir e vir. Isso é característico de governos de direita.

- Despejos violentos para atender a interesses da especulação imobiliária, rampas anti-mendigo, grades em volta de praças. Mais características de governos de direita.

Sem apologias ao PT, mas no segundo turno não tem jeito. A marionete conservadora que o marketing quer nos empurrar como bom prefeito, pela minha goela não desce.



Escrito por Tiago Marconi às 10h26
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Crise financeira internacional

Jusqu'ici tout va bien. Mais l’important ce n’est pas la chute, c’est l’atterrissage.

Até aqui, tudo bem. Mas o importante não é a queda, é a aterrissagem.

Citação do filme O Ódio (La Haîne, França, 1995).

Escrito por Tiago Marconi às 23h37
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Mais vídeos meus no G1

Confira no G1 neste fim de semana (03/10)

Cachorro 'doutor' visita enfermaria infantil de hospital em São Paulo

Shopping só de calçados femininos empolga ‘sapatólatras’ paulistanas

Confira no G1 neste fim de semana (26/06)

Confira no G1 neste fim de semana (19/09)



Escrito por Tiago Marconi às 16h49
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A respeito de Ensaio sobre a cegueira

Sem querer entrar no mérito do filme (não vi) e menos ainda estender meus comentários sobre o diretor (6 posts abaixo eu já fiz isso), mas grandes protestos contra a metáfora é o maior atestado de obtusidade politicamente correta de que me lembro. Fico imaginando os floristas e floricultores processando toda a poesia romântica por "criar conotação sexual ao produto de uma atividade profissional como qualquer outra", ou os manchegos processando Cervantes por "retratar a população local como psicótica"...


O pior, de fato, é não querer ver.


EM TEMPO: (escrevi na pressa, acrescento) Longe de mim, desdenhar da cegueira alheia, mas essa metáfora, inclusive, estava aí há muito tempo - o português José Saramago ganhou Nobel e tudo... Não deixa de ser curioso uma associação de cegos americanos que só têm olhos (ouvidos?) para Hollywood.




Escrito por Tiago Marconi às 19h22
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Estréia!!!

Depois de 5 anos de filmado, estréia em película:
 
Construção (Direção de Maria Gutierrez, produção minha, dela e de Guilherme César, fotografia de Chica San Martin e por aí vai),
 
segunda feira, 6 de outubro, às 21hs no Espaço Unibanco da Augusta.
 
Vejo vocês lá!


Escrito por Tiago Marconi às 14h47
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Allan Sieber Talk to Himself Show

Estou pondo ali à direita link para o blog do Allan Sieber, que descobri em 2004 e acompanho sem muita regularidade, sempre que me lembro. O cara tem um comovente humor escroto! Dá para passar boas insônias nos arquivos!

Escrito por Tiago Marconi às 20h23
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texto dos outros

Vamos tietar a paulicéia
A minha utopia é transformar São Paulo de terra de ninguém para cidade de todo mundo

LUIZ RUFFATO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Das centenas de dados surgidos do seqüenciamento genético do DNA do paulistano, patrocinado por essa Folha, vou me ocupar apenas de um, tomando-o como emblema e síntese.
A maioria da população da cidade (64%) não participa de qualquer movimento social, quer dizer, não se engaja em nenhuma atividade que envolva ação coletiva.
Talvez esse índice não seja muito diferente do que poderíamos encontrar na média do restante do país, mas no caso de São Paulo o problema torna-se particularmente dramático.
A sociedade brasileira, nascida de um regime segregacionista -a dizimação dos índios, a escravização dos negros, a exploração da mão-de-obra dos imigrantes miseráveis da Europa, Japão e Oriente Médio-, perpetuou e ampliou o abismo entre ricos e pobres a partir da década de 1950, quando, por meio dos imensos e caóticos deslocamentos populacionais, fomentou a vertiginosa industrialização do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Ainda hoje, boa parte dos habitantes de São Paulo tem seus laços afetivos vinculados a outras regiões (do Brasil ou do exterior). Mas, se é traumática a imigração (quando o curso natural da história pessoal é interrompido), ainda resta o consolo, quase sempre ilusório, de um retorno à terra natal, o presente profundamente contaminado pelo passado.
Nem isso, entretanto, sobra para o descendente do imigrante: não há para onde voltar, o presente flutua no presente, sem raízes. E essa crise de identidade, que perpassa todos os níveis sociais, toma uma forma particularmente perversa na classe média baixa e no proletariado, onde à sensação de não pertencimento alia-se a falta de perspectivas de mudanças.
Decorre daí uma estranha percepção, a de que estamos precariamente acampados em São Paulo: provisórios são os edifícios, provisória a paisagem, provisórias as amizades, provisória a vida... E, acossados por uma terrível catástrofe que não conseguimos identificar, abandonamos a cidade a cada feriado prolongado, a cada período de férias, carros e ônibus em uma marcha alucinada pelo marvermelho das estradas em busca da terra prometida de leite e mel, que está sempre além, no litoral, no interior, nas montanhas... Rejeitamos São Paulo, porque a identificamos com o trabalho, o "mal" para o qual o homem foi condenado desde o início dos tempos...
O que necessitamos, na minha opinião, é reconstruir nossa visão de cidadania. Temos de aprender a amar a cidade, aceitá-la como ela é, com suas qualidades e defeitos. Amar é alimentar as coisas boas e ajudar na superação das ruins. Para isso, precisamos, antes de mais nada, mudar nossa compreensão de "bem público". Hoje entendemos "aquilo que é de todo mundo" como "aquilo que não é de ninguém" -quando deveríamos traduzir por "aquilo que é de cada um de nós". Se nos dedicássemos um pouquinho a São Paulo, a nossa cidade seria melhor para todos. Deveríamos lutar para que cada bairro fosse um núcleo urbano integral, com praças, coretos, cinemas, teatro, e que cada paulistano, nativo ou adotado, usufruísse de sua felicidade aqui e agora.
Uma vez, um motorista de táxi me disse que o irritava profundamente que os políticos só se lembravam dele de quatro em quatro anos. Eu perguntei: mas não é assim também com você? Você só se lembra deles de quatro em quatro anos. A minha utopia é transformar São Paulo de terra de ninguém para cidade de todo mundo.

Escrito por Tiago Marconi às 19h19
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Super Moura, deputado estadual

Não é meu parente...




Escrito por Tiago Marconi às 13h38
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MAIS VÍDEOS NO G1

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Confira neste fm de semana no G1 (12/09)

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Escrito por Tiago Marconi às 16h40
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Roda Viva com Fernando Meirelles

Fazia tempo que eu não falava de cinema. E não é exatamente de cinema que vou falar...

Ontem, em cima da hora, descobri que Fernando Meirelles seria o entrevistado do Roda Viva, que cada vez mais (pode ser impressão minha) costuma receber gente chata para falar de assuntos chatos.

Fernando Meirelles é uma figura polêmica. Depois de trabalhos inovadores com vídeo, muito boa televisão (eu adorava Rá Tim Bum), possivelmente a melhor carreira do cinema publicitário brasileiro e 2 filmes sem muito destaque, surgiu com o furacão Cidade de Deus, maior evento do cinema nacional pelo menos desde Central do Brasil. Tenho a impressão de que um evento maior do que Central do Brasil. Afora a carreira brilhante do filme ao redor do mundo, suficiente para torná-lo um cult internacional, quem não se lembra?, o filme foi assunto obrigatório em tudo que é suplemento cultural e rodinha de cineastas e cinéfilos.

Havia basicamente duas posições: de um lado estava quem gostou do filme, por sua evidente qualidade técnica, e o elegeu como O exemplo a ser seguido pela cinematografia brasileira, "que até então não valia nada". De outro, os suspeitos de sempre, que fazem questão de pensar politicamente um filme que trata da guerra urbana carioca (se não é um tema político, o que o será?) - grupo em que se destacou a figura da crítica Ivana Bentes, que cunhou o termo "cosmética da fome" sem conseguir colocá-lo de pé em termos teóricos. Faço parte do segundo grupo e não arredo o pé, mas é preciso refletir um pouco.

Embora eu concorde que a linguagem publicitária do filme não seja a forma mais interessante de se tratar a tragédia social brasileira, sempre achei o filme excepcional enquanto realização. Essa opinião se estende ao diretor e se fortaleceu ontem. Fernando Meirelles não me leva ao cinema e eu desconfio bastante da sofisticação estética de alguém que afirmou que dormia durante os filmes de Gláuber Rocha, "achava chato". Enfim, tenho uma discordância política e estética inconciliável com o sujeito. Por outro lado, o cara é um grande realizador, um colega de profissão competentíssimo e que, goste eu ou não, merece o destaque que tem. Ponha Cidade de Deus de um lado da balança e 85% da obra de Cacá Diegues do outro... Ela pende para o lado do paulista. Pode pôr junto com a do Diegues a de Zelito Viana e a de Paulo Thiago... Mexeu alguma coisa?

O fato é que Fernando Meirelles é um fenômeno novo no cinema brasileiro. Alguém que ocupa espaço por sua competência e não por suas influências. E aí está sua maior importância.

Voltando ao Roda Viva: foi constrangedor. Liguei a TV pronto para ficar com raiva do Fernando Meirelles e ele, sem dúvida, foi quem menos me irritou. Foi um festival de bajulação. A Mona Dorf por pouco não pulou a bancada e deu um beijo no diretor, além de soltar a infâmia de que Cidade de Deus quebrou um paradigma da literatura, do teatro e - vejam só!!! - do cinema brasileiros, por retratar uma favela! Mano, alguém que sequer ouviu falar em Rio, 40 graus não pode entrevistar nem a mim para o jornal interno do sindicato dos desempregados, que dirá a um cineasta internacional para um programa exibido em todo o país, que existe há décadas e tem uma reputação a zelar... E o mais impressionante é que ninguém falou nada. A mulher resolve que Cidade de Deus foi quem levou a câmera para a favela e isso vira verdade.

Luís Carlos Merten, o crítico puxa-saco por excelência (se alguém tiver crítica dele falando mal de algum filme de diretor brasileiro vivo, eu quero!), foi quem fez a pergunta cinematograficamente mais séria do programa, mas num tom de deboche. Citando o debate no Espaço Unibanco onde surgiu o termo "cosmética da fome", perguntou a Meirelles se "hoje ele dá risada disso". Que raio de jornalismo é esse? O filme do cara foi o que foi dentro do país, em termos de evento, justamente por conta dessa polêmica, coisa que o cineasta parece entender, pela sobriedade de sua resposta: "eu evidentemente discordo (...) nesse debate alguém falou que em 4 meses o filme seria esquecido e não foi, então alguma coisa tem ali".

Fiquei extremamente desapontado pela incompetência dos entrevistadores, eu juro que queria desligar a TV com raiva do Meirelles e ele foi a melhor figura da entrevista. Fica aqui meu apelo à TV Cultura: na próxima entrevista com cineasta, chamem o pessoal da Contracampo, da Cinética, José Carlos Avellar, o Jean-Claude Bernardet, o Ismail Xavier, o Rubens Machado, outro cineasta, o Inácio Araújo que seja! E, por favor, nada de Mona Dorf...



Escrito por Tiago Marconi às 16h33
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Escrito por Tiago Marconi às 13h23
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